Maurus Amargus: o patrocínio saiu de campo e a conta continua jogando
O governo anunciou a suspensão das casas de apostas. Para clubes que encheram suas camisas de marcas do setor, é uma notícia terrível. O patrocínio pode desaparecer, mas salário, viagem e manutenção não costumam aceitar a frase ‘voltamos depois do intervalo’. É uma porcaria de planejamento depender de uma torneira que outra pessoa pode fechar.
Dirão que o futebol encontrará novos anunciantes. Claro. Também se pode dizer a um prédio em chamas que em breve haverá chuva. Cada contrato perdido será tratado como oportunidade de inovação por quem não terá de explicar o orçamento ao torcedor. Horrível. Péssimo. Estou vendo reuniões em que a diretoria tentará convencer uma padaria a comprar a manga esquerda de uma camisa por vinte milhões.
Talvez os detalhes da medida mudem o cenário; não conhecemos ainda todas as consequências. Meu prognóstico, portanto, é perfeitamente desproporcional: sem uma solução rápida, será o fim do mundo esportivo, com o quarto árbitro vendendo espaço na placa de substituição e o hino interrompido por uma oferta de parcelamento. Quero estar errado. Com esta temporada, isso raramente acontece.





















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