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Botafogo entrega a Tite um novo ciclo e pede manual para distinguir a nova era da anterior

Escudo do Botafogo

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Há uma expressão que se gasta depressa no futebol: ‘começa um novo ciclo’. No Botafogo ela veio com troca efetiva de autoria. Tite é o primeiro treinador escolhido pela atual gestão da SAF, encerrando a sequência de técnicos contratados sob John Textor. O porteiro do CT já solicitou uma lista atualizada de quem pode dizer ‘nosso projeto’ sem precisar consultar um advogado.

O novo técnico comandou apenas um jogo e ganhou a pausa para trabalhar. Isso é tempo suficiente para apresentar ideias, observar o elenco e aprender que no futebol brasileiro uma reunião de planejamento pode ser tratada como crise se o café esfriar. A mudança de gestão tampouco apaga os problemas do time por decreto: o trabalho será julgado quando a bola voltar.

Os antigos treinadores tiveram durações muito diferentes, de passagens longas a estadias que mal renderam senha de acesso. A torcida, que já viu vários anúncios prometendo estabilidade, sabe que uma nova fase começa com atos menos fotogênicos: treino repetido, escolha difícil e uma derrota que não vire uma caça a culpados.

Tite agora dispõe do privilégio raro de poder pedir paciência antes de consumi-la. Se a nova era trouxer uma sequência de resultados, o nome ficará na fachada. Se não trouxer, a placa ‘novo ciclo’ continuará útil: é reversível e pode ser guardada para a próxima cerimônia.


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