Milly Vanilla

Milly Vanilla: a nova regra e o direito dos elevadores ao silêncio

Escudo do clube citado

MILLY VANILLA

Clubes do Brasileiro discutem a redução gradual do limite de estrangeiros em campo. Alguns apoiam a medida, outros temem perder qualidade ou ver os preços subir. Não pretendo esconder o tema decisivo que essa notícia levanta: quem protege os elevadores das conversas sobre o andar desejado?

Um elevador atravessa fronteiras verticais diariamente e, ainda assim, ninguém lhe pergunta se prefere silêncio. No térreo, recebe instruções. No décimo, ouve um debate sobre condomínio. A palavra “estrangeiro” contém “estranho”; a cabine é o lugar onde o estranho finge examinar os números para não cumprimentar outro estranho. Está traçada, sem uma única linha racional, a conexão que a sociedade se recusou a desenhar.

Dirigentes passam horas discutindo quantos estrangeiros cabem num time, mas nenhum se levantou para perguntar quantas opiniões cabem numa cabine de seis pessoas. Políticos prometem mobilidade urbana cercados de escadas rolantes, motoristas e assessores; o elevador, que executa a mobilidade sem coletiva, só é lembrado quando demora quinze segundos. A omissão é vertical, metálica e tem espelho.

Enquanto os clubes planejam elencos, o elevador segue descendo. Por respeito, ninguém deveria perguntar em qual andar ele vai parar.


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