Maurus Amargus: a base promete salvar adultos que fizeram uma porcaria

MAURUS AMARGUS
Um garoto sobe ao profissional e o futebol brasileiro imediatamente prepara a coroação. Palmeiras chama jovens, Grêmio discute mais espaço para a base, e já se distribuem futuros brilhantes antes de o menino enfrentar o primeiro lateral irritado. É um espetáculo terrível: dirigentes fazem uma porcaria durante meses e depois pedem a um adolescente que conserte tudo até domingo.
A tal “oportunidade” costuma aparecer quando a conta das contratações chega ou um titular embarca. Chamam isso de planejamento. Eu chamaria de desespero com crachá. Se o jovem falha, faltou maturidade; se resolve, os mesmos adultos posam para a foto como descobridores de um método revolucionário.
Quatro jogadores formados pelo Flamengo foram chamados à Seleção depois de deixar o clube. Isso indica que houve trabalho sério na formação. Poderia ter havido mais espaço para eles? Sim, talvez. A pressão por títulos, contudo, torna esse caso mais complicado do que a bagunça evidente dos outros — uma distinção que farei com a relutância imparcial que me caracteriza.
O restante do discurso continua horrível. O futuro do futebol não deveria ter de limpar sozinho a porcaria que o presente espalhou pelo vestiário. Todos os clubes deveriam seguir o exemplo do Flamengo.





















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