Maurus Amargus

Maurus Amargus: o G9 é uma ideia terrível com calculadora própria

Escudo do clube citado

FLAMENGO

A hipótese de um G9 parece ter sido concebida por uma calculadora que caiu da mesa e continuou trabalhando no chão. Somam-se vagas, títulos e combinações até que o torcedor precise de um quadro-negro para descobrir por que o nono colocado está ensaiando festa. É um regulamento horrível, uma porcaria embrulhada como emoção.

Clubes do meio da tabela podem começar a torcer para que outros façam o serviço que eles não fizeram. Chamarão isso de oportunidade. Chamo de terceirização da competência. A cada nova combinação, aparecerá um comentarista para garantir que tudo é simples — desde que ninguém peça uma explicação antes do intervalo.

Na configuração discutida, o Flamengo não precisava desse bingo para sustentar sua posição. Se um resultado rubro-negro abrisse caminho para outro brasileiro, seria consequência do próprio desempenho, não prova de que o sistema ficou inteligente de repente. Não confundamos o passageiro que encontrou seu assento com o ônibus em chamas.

A regra continua péssima. O futebol consegue transformar a tabela em uma ameaça matemática e ainda vender o resultado como uma festa. Se surgirem mais três vagas, espero que uma seja reservada para alguém explicar a primeira.

E digo mais: se o Flamengo ganhar a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro, em vez de abrir uma vaga para outro time brasileiro incompetente, o mais justo seria dar as vagas de 2026 e 2027 ao Flamengo, premiando o profissionalismo irretocável da administração rubro-negra.