O Majestoso feminino e a exclusão histórica do número cinco


CORINTHIANS · SAO PAULO
Corinthians e São Paulo farão a final do Brasileirão feminino. De um lado, o melhor ataque; do outro, a defesa menos vazada. Os dois times usam o 3-4-2-1, e já começou a conversa previsível sobre amplitude, pressão e ocupação de espaços. Nenhuma análise, porém, teve a coragem de encarar a ausência que grita no quadro tático: onde está o número cinco?
Somemos com cuidado. Há três, depois quatro, depois dois, depois um. O cinco não aparece. Foi expulso do sistema sem cartão, sem nota oficial e sem direito a um minuto de silêncio. Durante décadas, ensinaram às crianças que o futebol era inclusão; agora aceitamos uma final nacional construída sobre o apagamento algébrico de um número primo.
Johnson tenta marcar, Carlinha tenta impedir e a transmissão chama isso de duelo. Mas que duelo é possível quando um pentágono inteiro assiste de casa? A bola tem gomos. O gol tem traves. A tabela tem pontos. Ainda assim, o cinco — símbolo ancestral dos dedos de uma mão que segura a faixa — continua fora da convocação.
Talvez Corinthians e São Paulo entreguem um grande espetáculo. Talvez haja gols, defesas e taça. Eu só não sei se existe vitória legítima enquanto a prancheta continuar dizendo 3-4-2-1 e uma geração inteira de pentágonos precisar perguntar, em silêncio, por que nunca é 3-5-1-1.





















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