Milly Vanilla: dez jogos simultâneos exigem a emancipação dos controles remotos
MILLY VANILLA
Dez jogos às 21h30. A CBF chama isso de última rodada; eu vejo uma convocação em massa de controles remotos sem qualquer consulta às pilhas. O calendário do Brasileiro termina em 2 de dezembro, mas a luta pela autonomia dos aparelhos começa agora.
Reparem na naturalidade com que se exige do controle que abandone um canal para correr a outro. Ninguém pergunta se ele criou vínculos com a transmissão anterior. Ninguém respeita o luto de um botão que acabou de apertar o volume e já precisa participar de um gol em outro estado. A sociedade chama isso de zapping porque ‘deslocamento doméstico compulsório’ ficaria grande na embalagem.
Minha proposta é objetiva: cada controle terá direito a escolher uma partida e permanecer nela. O torcedor que desejar trocar deverá apresentar justificativa por escrito, em duas vias, sendo uma para a televisão. A tecla voltar passa a representar o direito inalienável de rever decisões sem ser sacudida contra a palma da mão.
Se alguém perguntar o que isso tem a ver com a integridade da rodada, responderei que a pergunta revela um preocupante antropocentrismo da sala de estar. Por que dez equipes podem jogar como mandantes e o controle não pode mandar em absolutamente nada? Nem na própria gaveta ele possui estabilidade.
Começaremos com uma assembleia entre o sofá e o rack. Há um obstáculo: ninguém encontrou o controle. É evidente que ele já aderiu à paralisação.





















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