Maurus Amargus: Remo leva seis e a palavra ‘ajuste’ pede demissão

MAURUS AMARGUS · REMO

Proponho uma medida emergencial para o futebol: depois de sofrer seis gols, ninguém poderá usar a expressão ‘pequenos ajustes’. Pequeno é o intervalo entre uma desculpa e outra. Seis a um é uma coisa horrível, terrível, uma porcaria de resultado com testemunhas.

O Remo perdeu por esse placar para o Palmeiras. Não estou atribuindo frase alguma a treinador ou dirigente; estou me antecipando ao dicionário coletivo que o futebol costuma abrir nessas ocasiões. Conheço o capítulo. Primeiro aparecem os detalhes. Depois, os aspectos positivos. Quando a gente percebe, a goleada já foi promovida a oportunidade.

Detalhe é errar a grafia no ingresso. Seis gols exigem uma palavra que caiba de pé na sala. A análise precisa distinguir o que falhou, como falhou e o que será corrigido. Sem isso, chamar a derrota de aprendizado equivale a cobrar mensalidade do torcedor por uma aula que ele implorou para não assistir.

E não me tragam o gol de honra como anestesia. O Remo marcou uma vez; isso consta do placar e deve constar do registro. Mas transformar esse gol em prova de que tudo poderia ter sido diferente é péssimo. Poderia, naturalmente. Bastava uma partida diferente.

O torcedor tem direito a uma explicação que não seja embrulhada para presente. Não precisa de promessa de milagre nem de alguém batendo no peito diante de uma câmera. Precisa reconhecer, no próximo jogo, que a derrota serviu para alguma coisa além de abastecer o arquivo de melhores momentos do adversário.

Se a resposta for só trocar ‘ajustes’ por ‘correções pontuais’, teremos o fim do mundo com revisão de português. Ao menos preservem a palavra crise: ela chegou cedo, viu os seis gols e não merece ficar do lado de fora da coletiva.


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