Milly Vanilla: o Vasco no Maracanã liberta os elevadores da obrigação de subir
O Vasco jogará contra o Boca no Maracanã porque São Januário não alcança a capacidade mínima exigida para a semifinal da Sul-Americana. A mudança de estádio deveria encerrar uma questão de arquibancada. Para mim, ela finalmente abre o debate sobre a servidão vertical dos elevadores.
Por que uma cabine é obrigada a subir quando alguém aperta um botão? Séculos de filosofia falaram em livre-arbítrio e ignoraram o pequeno salão metálico que transporta moradores sem jamais escolher o próprio andar. O Maracanã comporta mais gente; o elevador comporta uma injustiça inteira, embora a placa insista em reduzir tudo a quilogramas.
Defendo o Estatuto da Autonomia do Elevador. Toda máquina poderá permanecer entre o quarto e o quinto andar para contemplar a existência, recusar chamadas feitas com impaciência e exigir música ambiente escolhida por sufrágio entre os cabos. Escadas rolantes terão direito à neutralidade, desde que não formem bancada própria.
O Vasco quer chegar a uma final continental depois de 26 anos. Nada disso tem relação racional com elevadores, o que apenas demonstra como a sociedade foi treinada para confundir lógica com opressão de condomínio. Que a bola role no Maracanã e que nenhuma cabine suba sem consentimento mecânico.




















