Justiça pede contratos de Allan, e Palmeiras procura R$ 210 milhões na gaveta da confidencialidade

Uma venda milionária colocou o Palmeiras numa função que nenhum dirigente inclui na apresentação de reforços: localizar anexos. A Justiça de São Paulo determinou que o clube apresente, em dez dias, os contratos relacionados à transferência de Allan para o Manchester City e informe o que já recebeu da operação.

O Palmeiras não é réu no processo. Entrou na história porque o Figueirense tem direito a 10% do valor líquido da negociação, estimada pelo Alviverde em cerca de R$ 210 milhões, além de um bônus. A fatia catarinense virou um pedaço de pizza observado por credores que chegaram com pratos, guardanapos e decisões judiciais.

Dois documentos descritos pelo clube, mas ainda não anexados por alegação de confidencialidade, ajudam a definir o destino do dinheiro. A juíza também quer saber se a primeira parcela do City já caiu e quanto permanece retido. É o velho duelo entre o cofre que diz “segredo” e o processo que responde “abra a tampa”.

Na disputa aparecem uma empresa que cobra dívida do Figueirense, credores trabalhistas e o Athletico-PR, que recebeu os direitos sobre valores de Allan como garantia de outro débito. O jogador atravessou o Atlântico; os recebíveis ficaram no Brasil disputando posição com mais intensidade que muita bola parada.

O Palmeiras agora tem uma missão sem gramado: apresentar papelada, preservar o dinheiro bloqueado e esperar a Justiça definir quem fica com cada parcela. Nem Abel Ferreira consegue escalar esse meio-campo. Há contratos, penhoras e uma tabela em que o critério de desempate atende pelo nome de prioridade do crédito.