São Paulo banca Dorival até a eleição, e dezembro recebe a chave do banco de reservas
SÃO PAULO · BASTIDORES

O São Paulo decidiu que Dorival Júnior continua no cargo, mas colocou a decisão definitiva dentro de uma urna imaginária. A gestão atual mantém o respaldo ao treinador e não trabalha com demissão agora; o futuro será assunto do presidente eleito em dezembro.
O ambiente azedou depois que Dorival reclamou das condições dos gramados do CT da Barra Funda. Pessoas próximas à presidência não gostaram da exposição, criando aquela modalidade administrativa em que o técnico recebe apoio pela porta da frente e cheiro de fritura pelo corredor.
Com apenas oito partidas do Brasileiro restantes e a eleição marcada para a segunda quinzena de dezembro, o clube pretende evitar mudanças significativas na base. É uma política de congelamento: nada explode hoje, nada descongela antes de o novo ocupante encontrar o manual do micro-ondas.
A multa rescisória do treinador ronda os R$ 6 milhões, soma que também ajuda a tornar a estabilidade uma ideia bastante atraente. Em tempos de dificuldade financeira e institucional, convicção e economia podem dividir a mesma cadeira sem precisar revelar quem chegou primeiro.
O sucessor herdará mais de uma pasta. Além de decidir sobre Dorival, terá de tratar da renovação de Lucas Moura, cujo contrato termina em dezembro. A campanha eleitoral, portanto, ganha programa de governo, comissão técnica e uma caneta que já chega à posse pedindo intervalo.
Por enquanto, Dorival treina, o elenco joga e a política observa o calendário como quem espera uma panela esfriar. O São Paulo não resolveu o debate; apenas o empacotou com cuidado, escreveu “frágil” na caixa e pediu para dezembro assinar o recebimento.




















