Arias reencontra o Fluminense, e o Maracanã recebe reunião de ex com transporte blindado

FLUMINENSE · PALMEIRAS · LIBERTADORES

Escudo do Fluminense

O Maracanã foi reservado para aquela reunião em que todos juram estar tranquilos e ninguém sabe onde colocar as mãos. Jhon Arias, campeão da Libertadores pelo Fluminense em 2023, volta ao estádio vestindo o verde do Palmeiras para a ida da semifinal continental.

Será o terceiro encontro do atacante com o antigo clube desde que retornou ao Brasil, mas apenas o segundo no Rio. A repetição não reduziu o constrangimento: a cada capítulo, a arquibancada tricolor atualiza o volume da conversa e o jogador precisa conduzir a bola entre lembranças que também sabem marcar.

A escolha pelo Palmeiras envolveu mais que minutos em campo. A proposta apresentada à família incluiu estrutura de segurança particular, transporte blindado, indicação de condomínio protegido e ajuda na busca por escola. A negociação ganhou o pacote completo de uma mudança, faltando apenas alguém conferir se as plantas sobreviveriam ao frete.

Houve também a diferença de cifras. O Fluminense ofereceu 20 milhões de euros ao Wolverhampton, enquanto o Palmeiras chegou aos 25 milhões pedidos pelo clube inglês. O direito de igualar a oferta existia; a disposição de acrescentar cinco milhões ficou no vestiário.

Parte da torcida tricolor se irritou porque Arias havia dito que voltaria ao clube caso regressasse ao futebol brasileiro. Quando a promessa reencontra a planilha, porém, até a vírgula pede acompanhamento jurídico. O afeto não deixou de existir; apenas descobriu que não administra orçamento nem escolhe rota de carro.

À noite, nenhuma escolta impedirá o duelo essencial: Fluminense e Palmeiras disputam uma vaga na final, e Arias será simultaneamente ameaça visitante e lembrança doméstica. No apito inicial, a reunião de ex termina. Começa uma semifinal em que até o silêncio antes da bola parece cobrar ingresso.