Milly Vanilla: Luighi vale R$ 30 milhões e as colheres de degustação exigem participação

COLUNISTAS · MILLY VANILLA

Luighi marcou quatro gols pelo New York City FC, foi escolhido duas vezes como melhor jogador do mês e pode render R$ 30 milhões ao Palmeiras. Uma história de empréstimo, valorização e porcentagens.

Mas por que o futebol reconhece 20% de direitos futuros para um clube e nega qualquer participação às pequenas colheres de degustação abandonadas nos supermercados?

Essas colheres atravessam queijos, iogurtes e patês sem contrato, sem empresário e sem sequer saber se pertencem ao corredor refrigerado. São emprestadas por segundos ao consumidor e descartadas justamente quando começam a criar vínculo com a amostra.

Defendo uma cláusula de solidariedade para utensílios de degustação. Cada produto vendido depois de uma prova deveria reservar 20% do afeto econômico à colher que tornou a decisão possível.

Luighi encontrou espaço em Nova York. As colheres continuam presas entre o requeijão e a lixeira, vítimas de uma estrutura que celebra o consumo, mas invisibiliza quem carregou a primeira mordida.

Não há relação racional entre o atacante e o talher descartável. Exatamente por isso a discussão é urgente: toda causa verdadeiramente moderna precisa sobreviver à ausência completa de nexo.